sexta-feira, 3 de julho de 2015

Leônidas

Meu trabalho na oficina é invariavelmente prazeroso. Sempre me agrado do que produzo e sustento minha família fazendo o que gosto.

Mas as vezes a satisfação é tamanha que excede o conceito.

E acabo recebendo uma encomenda para confeccionar uma peça que sempre tive muita vontade de fazer.

Isso aconteceu com a réplica da espada do valente Rei Leônidas.

Em 480 antes de Cristo, o grande líder de pouco mais de 7000 soldados, dentre eles os 300 de corajosos guerreiros de Esparta, combateu o exército persa, composto por 200 mil homens comandados por Xerxes.

Estátua de Leônidas em Esparta - Grécia.

A vantagem dos persas era de 28 homens para cada soldado de Leônidas.

Registros históricos contam que um mensageiro persa trouxe a seguinte mensagem de Xerxes:

"Nossos arqueiros são tantos, que suas flechas encobrirão a luz do sol!"


A resposta de Leônidas foi a do mais valente dentre todos os guerreiros:

"Tanto melhor. Assim nós os combateremos à sombra!" 


A única alternativa tática de Leônidas era atrair os persas para a Passagem das Termópilas, um estreitamento de terra entre um desfiladeiro e o oceano, no litoral do Mar Mediterrâneo.

A Passagem das Termópilas.

A limitação de amplitude do terreno estreito diminuiu significativamente a vantagem numérica e impediu que as tropas de Leônidas fossem envolvidas e engolidas pelos persas.


A batalha durou cerca de 3 dias. Mais de 20 mil persas foram mortos. Nenhum dos homens de Leônidas sobreviveu.

Escultura de Xerxes.

O tempo que Leônidas conseguiu conter as tropas de Xerxes foi o suficiente para que todos os moradores de Esparta fugissem da cidade e escapassem da morte certa.

Leônidas e seus Heróis foram retratados pelo cinema no recente filme 300.

Uma versão romantizada mas bem legal da batalha histórica.

O filme.

Na versão de Hollywood, o Líder Grego empunha uma bela espada de uma mão.


Minha missão era replicá-la, mas em aço damasco.

Como todo projeto de espada, esse também foi muito desafiador.

Certamente a questão principal era tornar leve uma espada com 75 centímetros de comprimento, que seria manuseada por apenas uma mão.

O resultado está aí!

Uma peça memorável, bela e imponente.

Tenho certeza que vocês apreciarão!

Design muito bonito e agressivo.



Fazer as guardas perfeitamente simétricas
 e alinhadas não foi nada fácil.



Ébano e damasco, uma combinação sempre bonita.


O fuller que tira peso e aumenta a resistência mecânica.


O belo damasco ladder.


Leônidas.


"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, 
e mais penetrante 
do que espada alguma de dois gumes, 
e penetra até à divisão da alma e do espírito, 
e das juntas e medulas, 
e é apta para discernir 
os pensamentos e intenções do coração."
                                                                                               Hebreus 4:12


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terça-feira, 30 de junho de 2015

Irukandji

Olá meus Amigos. 

Recebi recentemente um pedido de um grande cliente, Orlando Soares, para fazer uma pequena faca de autodefesa que confesso, inicialmente achei meio esdruxula.

No Estado do Rio de Janeiro, alguns Deputados estão tentando aprovar uma Lei que proibirá o cidadão de bem de portar qualquer faca com mais de 100 milímetros de lâmina.

Como se não bastasse a absurda inversão de valores de um país que tirou o direito do cidadão de bem de portar uma arma de fogo, tomando-lhe o direito a legítima defesa, agora esses Deturpados, digo Deputados, querem deixar a coisa ainda mais tranquila para a bandidagem, proibindo um homem de bem de até mesmo portar uma faca para se defender.

Até onde chegaremos???

Desta forma nasceu o projeto da Irukandji, nominado desta forma por ser inspirado na minúscula água viva, altamente letal, que povoa os mares da Austrália.

Água viva Irukandji.

Diminuta e mortal.

Respeitando o desrespeitoso Projeto de Lei, a lâmina deveria ter menos de 100 milímetros e terminou com exatos 96,5 milímetros.


O design escolhido para a lâmina foi o swedge point, por proporcionar uma ponta bastante agressiva e por poder comportar um falso-fio, que otimiza muito a perfuração.


Sobre o dorso foi colocado um pequeno "zingrinado" para melhorar a aderência do polegar e tornar a empunhadura mais segura.


Para a guarda, optou-se pela simples, e bem curta, de modo a tão somente proteger o indicador do contato com o fio e não comprometer em nada a portabilidade.


O cabo foi confeccionado em California Buckeye estabilizada, bastante adensada em desenhos e de belo colorido.


O pomo é o que continha a questão do "esdruxulo"!

Orlando descreveu-me um pomo abaulado, com uma saliência usinada em forma de cunha. Receoso sobre ter ou não compreendido corretamente o descrito, enviei-lhe por email a foto de um capacete medieval que se assemelhava ao que eu consegui imaginar.


A resposta foi positiva, mas obviamente seria uma peça mais baixa, menos saliente em suas proporções.

Fui pra oficina chamando o Orlando de doido! Terminada a faca eu o chamava de inteligente.


Nas nossas conversas por email, ele me explicava que nem sempre, sob o ponto de vista legal, se justificaria o uso da lâmina como legítima defesa. Que muitas vezes, produzir uma lesão menos potencialmente mortal, seria, à luz da lei, mais adequado.


Obviamente que como Policial Militar entendia bem o que ele dizia. Muitas vezes temos que optar por um tiro na perna para tão somente cessar a agressão e não matar o agressor e sermos consequentemente condenados.


Mas achei que o projeto do pomo não funcionaria!

Ledo engano. Tive que dar meu braço à torcer e confessar ao Orlando que eu inicialmente havia suspeitado da sua sanidade.


Desculpas manifestas e faca pronta, admito que, além de ser uma peça esteticamente bela, funciona inquestionavelmente bem para rachar com facilidade, a testa de um ladrão desavisado.


O pomo ficou com o aspecto de um pequeno machado e acelerado por um braço veloz, é certamente capaz de produzir grande estrago.


Na cintura tornou-se uma faca quase imperceptível ao usuário, por ser extremamente leve e de pequenas dimensões, facilitando o porte diuturno.

Obrigado pela aula Orlando!

Um grande abraço à todos!

Irukandji


"Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; 
circundá-lo-ás da tua benevolência 
como de um escudo." 
                                                       Salmos 5:12

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terça-feira, 16 de junho de 2015

O Alfa


O começo...

Em setembro de 2008 estava entre amigos, expondo na Feira de Cutelaria de Nova Petrópolis/RS, onde também se encontrava a simpática e querida Arlete Ballestra, brasileira residente na Itália e casada com o Mestre Cuteleiro Italiano Santino Ballestra.

Na ocasião Arlete expunha ao público brasileiro as peças confeccionadas pelo marido.

Sempre muito simpática e agradável, tratou logo de se enturmar e fazer novos amigos. 

Impressionada com o nível técnico de alguns cuteleiros brasileiros, comentou com o marido Santino ao telefone sobre as belas facas custom que estavam sendo produzidas no Brasil.

Santino então disse à esposa para que alguns dos melhores cuteleiros brasileiros, a saber, Rodrigo Sfreddo, Luciano Dornelles, Ricardo Vilar e Eduardo Berardo, enviassem algumas fotos de seus melhores trabalhos, por email, à Presidência da Associação Italiana de Cutelaria para que, previamente avaliados os respectivos níveis técnicos, pudessem selecionar quais destes poderiam ser convidados à submeterem suas facas ao teste de Mestre Cuteleiro.

Todos enviaram suas fotos para a Corporazione Italiana Coltellinai. Após previamente avaliados, foi feito o convite para que se submetessem ao teste de certificação no ano de 2009 e, caso aprovados, expusessem suas peças na Feira de Cutelaria de Milão, um dos eventos mais importantes do mundo, onde só expõem Mestres Cuteleiros.


A viagem

Mais de um ano depois, embarcavam rumo à Milão, Rodrigo Sfreddo, Glenda Hermann, Ricardo e Renata Vilar, Alexandre Andrade e Eduardo Berardo, numa viagem maravilhosa que durou 10 dias.

Todos almoçando juntos. Chegada em Milão.

O Duomo - Milão. 

Galeria Vitorio Emanuelle II - Milão.

Comemorando a certificação de Mestres Cuteleiros.

Berardo, Sfreddo e Vilar.

Feira de Cutelaria de Milão, 
uma das mais procuradas por cuteleiros do mundo inteiro.

Santino, Arlete e o filho do casal.
Gente simpática e muito hospitaleira!

Evento lotado.

Em Veneza, dando uma banda de barco.
Da esquerda para a direita:
Alexandre "Morcego" Andrade, Glenda e Rodrigo Sfreddo,
Ricardo Vilar fazendo micagens e sua esposa Renata.

Castelo transformado em museu - Veneza.

Teto do museu revestido de ouro.

Peças em exposição.

Murano, onde se fabricam os míticos cristais.

Porto de Veneza.

Noite de lua cheia - Veneza.

Sobre uma das pontes - Veneza.

Vista da torre da Praça de São Marcos - Veneza.

Vista da torre da Praça de São Marcos - Veneza.

Fontana di Trevi - Roma.

Panteon - Roma.

Vista externa do Coliseu - Roma.

Vista interna do Coliseu - Roma.

Fórum Romano.

Castelo de Santo Ângelo - Roma.


Vaticano.


Monumento à Vítorio Emanuellle II - Roma.


A faca

Para o teste, exigia-se a apresentação de 5 facas de aço damasco. Por cautela confeccionei 7 peças, em 7 padrões de aço damasco diferentes.

Dentre elas estava uma belíssima faca persa, em estilo tradicional, mas com construção integral full tang.

O cabo tradicional, com a linda "bola persa" na região do pomo, em ébano esculpido à lima, foi sem dúvida um dos grandes desafios da minha carreira.

O resultado, graças à Deus, foi a aprovação no teste de certificação de Mestre Cuteleiro, e esta belíssima peça em meu portfólio.

Espero que vocês a apreciem! Forte abraço e que Deus abençoe à todos!


Lindíssimas curvas.

Conjunto.

A lâmina recurva.

Embainhada.

A linda bola persa, dividida pelo chassi em aço damasco.

Muita segurança e conforto na empunhadura.

O Alfa.

As facas do teste!


"Eu sou o Alfa e o Ômega, 
o princípio e o fim, 
o primeiro e o derradeiro." 
                            Apocalipse 22:13


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